Autora: Sandra Mesquita
Os desafios das instituições do segmento de saúde para garantir sustentabilidade aos negócios estão levando as lideranças a buscarem recursos que otimizem as operações dessas empresas.
Diminuir a sinistralidade em contratos, aumentar vendas e reter clientes são alguns dos objetivos almejados por elas, em diferentes níveis.
Para isso, algumas empresas de saúde já entenderam o poder da cultura data-driven e estão começando a utilizar os dados que possuem e a buscar novos para tomar decisões mais assertivas.
Foi pensando nisso que a Unimed Federação Minas Gerais buscou a SOW Inteligência e Gestão para auxiliar na implementação de uma cultura data-driven nas unidades singulares do Estado.
Como bem pontuou Adriano Silva, superintendente de negócios da instituição, “o nível de maturidade das Unimeds de Minas Gerais no quesito tratamento de dados é bastante heterogêneo. E a grande maioria das cooperativas possuem uma gama variada de problemas de qualidade e tratamento de suas informações. Esta fundamentação, nos levou a pensar algo que pudesse auxiliar as Singulares a evoluírem”.
Neste artigo, vou falar sobre a experiência e os resultados que obtivemos no Programa de Alfabetização de Dados realizado em 23 singulares da Unimed Federação Minas Gerais este ano.
O que é ter uma cultura data driven na prática?
Antes de começar a compartilhar nosso trabalho junto à Unimed, vamos alinhar alguns conceitos para garantir que estamos na mesma página no que diz respeito à cultura data driven.
Adotar uma cultura data driven vai muito além de coletar números. É um processo transformador que empodera organizações a usarem dados como base sólida para decisões inteligentes e estratégicas.
Randy Bean, consultor de organizações Fortune 1000 em liderança em dados e IA há quase 4 décadas e autor do best-seller “Fail Fast, Learn Faster: Lessons in Data-Driven Leadership in an Age of Disruption, Big Data, and AI”, conceitua:
“A verdadeira cultura data-driven é aquela que capacita todos os níveis da organização a usar dados para tomar decisões informadas, promovendo uma abordagem baseada em evidências para resolver problemas.”
Em outras palavras, é a integração entre tecnologia, pessoas e processos que possibilita decisões informadas.
Porém, ser data driven não acontece da noite para o dia. Como aponta Christopher S. Penn, autoridade em tecnologia e marketing e autor do best-seller “Marketing White Belt: Basics for the Digital Marketer”, as empresas percorrem uma jornada evolutiva.
Essa jornada passa por estágios como data-resistent (resistentes aos dados) e data-curious (curiosas por dados), data-aware (consciente sobre a importância dos dados), até alcançarem o status de data-savvy (experts em dados).
É nesse ponto que os dados deixam de ser apenas ferramentas operacionais e se tornam o centro de decisões estratégicas. Nesse estágio, empresas data driven integram análises em todos os seus processos.
Elas não só reagem aos dados, mas os utilizam para planejar ações, antecipar desafios e criar soluções inovadoras. Esse modelo reduz a subjetividade, acelera decisões e aumenta a confiança nas escolhas feitas.
Construir essa cultura exige mais que tecnologia de ponta. É preciso criar um ambiente em que os insights sejam compartilhados, compreendidos e valorizados por todos. Ou seja, a verdadeira transformação ocorre quando dados deixam de ser restritos a especialistas da área e passam a ser uma linguagem comum a toda organização.
Adotar uma cultura data-driven é uma das missões de lideranças que buscam construir empresas mais ágeis, adaptáveis e preparadas para o futuro.
Veja a seguir de que maneira o uso de dados beneficia as organizações na prática.
Benefícios da cultura data driven para a estratégia empresarial
Adotar uma cultura data driven é mais do que uma tendência, é uma transformação necessária para empresas que desejam crescer de forma estratégica e sustentável.
Nesse modelo, as decisões deixam de ser baseadas em achismos e passam a se fundamentar em dados concretos, gerando insights valiosos e direcionando esforços para o que realmente importa.
Dentre os inúmeros benefícios, destaco:
Decisões mais embasadas
Utilizar dados concretos para tomar decisões reduz erros e elimina o achismo, proporcionando mais segurança e assertividade nas escolhas estratégicas.
Maior eficiência operacional
Com os dados guiando os processos, é possível identificar gargalos, otimizar recursos e eliminar desperdícios, aumentando a produtividade.
Agilidade no mercado
A capacidade de analisar e interpretar dados em tempo real permite respostas rápidas a mudanças do mercado e às necessidades dos clientes.
Redução do retrabalho
Ao fundamentar ações em insights claros, as equipes evitam esforços desnecessários, concentrando-se em iniciativas com maior probabilidade de sucesso.
Satisfação dos clientes
Decisões mais assertivas resultam em produtos e serviços mais alinhados às expectativas dos clientes, melhorando a experiência e fidelidade deles.
Economia de recursos
Investir em ações estratégicas reduz desperdícios de tempo, dinheiro e outros recursos, maximizando o retorno sobre o investimento.
Mentalidade de crescimento
Uma abordagem orientada por dados incentiva a empresa a olhar para o futuro, buscar melhorias constantes e adotar inovações de forma estruturada.
Integração organizacional
Dados acessíveis e compartilhados promovem a colaboração entre equipes, criando uma cultura de transparência e sinergia.
Previsibilidade e redução de riscos
Com dados históricos e análises preditivas, as empresas podem antecipar tendências e minimizar incertezas, reduzindo riscos nas operações.
Competitividade no mercado
Empresas data driven se destacam ao oferecer soluções mais eficientes e inovadoras, ganhando vantagem competitiva em um mercado dinâmico.
Falando agora especificamente das empresas de saúde, segmento em que atuei este ano com um Programa de Alfabetização de Dados, veja como a cultura data driven pode impactar todos os stakeholders, incluindo os pacientes.
Quais ganhos as empresas de saúde podem obter ao investir em cultura data driven?
As empresas de saúde, sejam operadoras ou prestadoras de serviços, podem melhorar a tomada de decisão ao adotar uma cultura analítica baseada em dados, com ganhos que beneficiam a todos os envolvidos no processo, desde os colaboradores até os usuários do serviço.
O Dr. Fernando Biscione, que atuou como consultor da SOW no Programa da Unimed, defende que “intuição e experiência não são parâmetros objetivos e rastreáveis. Assim, o motivo de ter tomado tal ou qual decisão se perde com o tempo ou com a saída das pessoas da empresa. Quando tomamos decisões baseadas em dados (e documentamos isso devidamente), temos um parâmetro mais objetivo do porquê das decisões. E, igualmente importante, podemos definir indicadores mais objetivos para monitorar as consequências das nossas decisões e planos de ação corretivos, que todos podem ver e acompanhar”.
O Dr. Fernando listou os seguintes benefícios do uso de dados por parte das operadoras de saúde:
- Redimensionamento de rede, melhorando o acesso dos pacientes;
- Redução de desperdícios: oriundo de exames, terapias ou procedimentos redundantes ou desnecessários;
- Mapeamento de oportunidades ou necessidades de saúde não identificadas;
- Renegociação de contratos com fornecedores e prestadores;
- Implementação de novos modelos de remuneração ou de compra de serviços.
Ele ressalta que os ganhos desse investimento tendem a beneficiar também os pacientes.
“Todos esses pontos podem confluir em três consequências positivas para a operadora e para o paciente: redução da sinistralidade dos contratos; melhora na saúde das pessoas; melhora na experiência/satisfação do usuário”.
Com esses benefícios no nosso horizonte, iniciamos o Programa de Alfabetização em Dados nas singulares da Unimed Federação Minas.
Como a Unimed Federação Minas Gerais capacitou colaboradores para uma cultura de dados
Ao longo deste ano, durante oito meses, realizamos o Programa de Alfabetização em Dados da Unidade Federação Minas, responsável pelas Unimeds do Estado.
O programa foi elaborado de maneira personalizada para a instituição e contou com a participação de 23 singulares.
O objetivo principal do nosso trabalho foi capacitar e aprimorar as habilidades analíticas dos profissionais das Unimeds do estado de Minas Gerais, ativando as competências necessárias para transformar dados em informações e capacitando o time nas habilidades de leitura, compreensão e interpretação de dados. Tudo isso para otimizar os processos de negócio das Unimeds, contribuindo para a tomada de decisões mais ágeis e assertivas, visando eficiência operacional e geração de valor para os clientes.
Bruna Silva, da Unimed Patos de Minas, acredita que “o principal resultado foi a possibilidade de mostrar o quanto a análise de dados pode proporcionar melhorias nos nossos processos e através disso disseminar a cultura de dados na empresa”.
Ao mesmo tempo, como ganhos secundários, tivemos a troca de experiências e compartilhamento dos desafios e melhores práticas por parte das unidades participantes, fortalecendo assim o engajamento e a colaboração entre os colaboradores do Sistema Unimed como um todo.
À frente da SOW, que tem como um dos propósitos a disseminação de uma cultura analítica nas instituições, defendo que o uso de dados para a tomada de decisão depende muito mais de uma mudança de mindset do que apenas da aquisição de conhecimentos técnicos, como pontua Randy Bean na citação no início deste texto.
Nesse ponto, a fala de Paola Novaes, da Unimed Uberlândia, nos mostra que esse pressuposto realmente se confirma na prática. Veja o que ela nos contou ao final do Programa:
“Vejo muitas empresas com um time muito forte para análise de dados, construções de paineis de BI, etc e em sua maioria esses profissionais acabam ficando alocados no setor de TI isolados, ou seja, o conhecimento fica restrito a essas pessoas. Quando uma empresa começa a olhar pelo aspecto cultural e não somente técnico, disseminando as boas práticas para outras áreas, aí sim vemos a transformação e resultados de uma cultura data driven, pois todos os colaboradores se tornam orientados em fazer melhores análises, buscar integrar dados de outros setores, buscar uma visão ampliada, trabalhar em caráter multidisciplinar para que os dados realmente levem a uma tomada de decisão mais assertiva”.
Para este Programa criamos uma trilha de desenvolvimento feita sob medida com 16 horas de conteúdos gravados, aulas online ao vivo, webinars temáticos e sessões de mentorias com experts na área de dados que acompanharam todo o percurso da jornada.
A jornada analítica compreendeu o desenvolvimento de competências analíticas básicas, passando por conceitos e técnicas de estatística, práticas de análise de dados, definição e implementação de indicadores, bancos de dados oficiais da área da saúde, ferramentas de BI, cultura data driven, data storytelling e IA aplicada a saúde.
Participaram do Programa analistas de informações ou de negócios, especialistas de informações ou de negócios e gestores de unidades de negócio. Cada Unimed formou um grupo multidisciplinar de cinco pessoas, portanto, tivemos aproximadamente 115 pessoas impactadas diretamente pelo programa em sua primeira edição.
Para o melhor aproveitamento do trabalho, finalizamos o Programa com o Datathon, uma competição em que os participantes tinham que desenvolver um estudo de caso baseado em um problema de negócio real, criado à medida em que avançavam na trilha de desenvolvimento.
A partir dessa jornada de aprendizado, tivemos o desenvolvimento de soluções de dados para endereçar problemas de negócio das Unimeds participantes, dentro de dois temas norteadores: sinistralidade e estratégia de venda e retenção de clientes.
Welbert de Freitas, integrante do grupo participante da Unidade Juiz de Fora, que ficou em primeiro lugar no Datathon, trouxe um relato que me deixou muito feliz e confiante de que atingimos esses objetivos.
“O Programa facilitou a identificação dos fatores de alto impacto no custo assistencial e aprimorou a previsão de comportamentos de risco. Este avanço promoveu uma abordagem mais estratégica e proativa, permitindo à Unimed Juiz de Fora otimizar recursos e melhorar a qualidade do atendimento. Isso foi possível através do desenvolvimento de dashboards no Power BI, onde conseguimos automatizar e agilizar as análises, compartilhar responsabilidades de forma mais eficaz e direcionar os pacientes de maneira mais assertiva”.
Priscila Papazissis, que atuou como consultora da SOW no Programa, além de ter integrado a banca de avaliação do Datathon, assim como eu, tem grandes expectativas sobre a aplicação dos conhecimentos pelos participantes daqui pra frente.
“Acredito que, com a experiência do Datathon e as ferramentas apresentadas, a Unimed estará mais preparada para enfrentar desafios futuros, inovar nos serviços prestados e se posicionar como referência no setor de saúde”.
Leandra Pereira, da Unimed Poços de Caldas, confirma que o trabalho realmente está só começando.
“O programa de alfabetização em dados nos proporcionou uma compreensão sólida de análise e interpretação dos dados. Desenvolvemos habilidades analíticas na visualização desses dados, comunicando com mais clareza e objetividade, o que facilita o alinhamento entre os setores da cooperativa. Para nós o programa não finalizou no Datathon, ele apenas concluiu uma etapa, onde agora possuímos base de conhecimento e ferramentas para melhor executarmos nossas tarefas e transmitirmos todo esse conhecimento recebido”.
Como funciona o Programa de capacitação analítica da SOW?
Uma das missões da SOW é capacitar as empresas para prosperarem na era digital, aproveitando ao máximo as tecnologias emergentes e os insights orientados por dados por meio de programas de educação corporativa que combinam teoria e prática na medida certa.
Dentre as soluções que oferecemos, as capacitações analíticas sob medida são o serviço mais completo e profundo.
Os programas de capacitação analítica, como o que realizamos na Unimed Federação Minas, têm como objetivo sensibilizar e capacitar as organizações em competências de dados, por meio de trilhas estruturadas sob medida que contemplam conceitos, práticas e inovação para o desenvolvimento das habilidades analíticas das pessoas.
O trabalho também inclui mentorias e treinamentos práticos que conectam aprendizado teórico com a realidade do negócio, potencializando a capacidade de transformar dados em decisões estratégicas e resultados de alto impacto.
Empresas que desejam cultivar uma cultura baseada em dados, orientando melhor as decisões estratégicas, priorizando esforços e iniciativas que agreguem valor e gerem eficiência, são o público ideal para os Programas de Capacitação Analítica da SOW.
Como você pode ver pelo exemplo que trouxemos, trabalhamos de maneira altamente personalizada, pois acreditamos que cada empresa possui necessidades e desafios específicos.
Assim, nossa intenção não é ser mais uma consultoria, mas de fato sermos parceiros de negócios.
Vamos juntos? Entre em contato e vamos destravar o potencial dos dados na sua equipe.


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